II. SACRAMENTOS AOS DOENTES - Liturgia Católica Apostólica Romana

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II. SACRAMENTOS AOS DOENTES

RITUAIS > ENFERMOS

II 


SACRAMENTOS QUE SE DEVEM 

ADMINISTRAR AOS DOENTES 



A. Unção dos Doentes 


5. Os Evangelhos e sobretudo o sacramento da Unção mostram claramente a solicitude corporal e espiritual do Senhor para com os doentes. Instituído por Ele e promulgado na epístola de S. Tiago, logo se introduziu na Igreja o costume de o celebrar, por meio da unção e da oração dos presbíteros pelos doentes, recomendando-os ao Senhor padecente e glorificado para que Ele os alivie e salve (cf. Tg 5, 14-16) e ainda exortando-os a que se associem livremente à paixão e morte de Cristo (Rom 8, 17),1 e assim contribuam para o bem do povo de Deus.2 


O homem gravemente doente, com efeito, necessita de uma peculiar graça de Deus para que não perca o ânimo na aflição, nem, pela força das tentações, venha a fraquejar na fé. 


 por isso que Cristo concede aos seus fiéis o sacramento da Unção, como defesa poderosíssima.3 



A celebração do sacramento consiste principalmente em que, depois da imposição das mãos pelos presbíteros da Igreja, seja proferida a oração da fé e ungidos os doentes com o óleo santificado pela bênção divina. Com este rito é significada e conferida a graça do sacramento. 


6Este sacramento confere ao doente a graça do Espírito Santo, pela qual o homem todo é ajudado em ordem à salvação, confirmado na confiança em Deus e fortalecido contra as tentações do inimigo e a ansiedade da morte. Assim poderá não só suportar com fortaleza os males, mas ainda vencê-los e obter a própria saúde corporal, se essa lhe aproveitar à salvação da alma. Confere também, se necessário, o perdão dos pecados e a consumação da Penitência cristã.4 


7Na santa Unção, unida à oração da fé (cf. Tg 5, 15), exprime--se a fé, que deve ser avivada, tanto no que administra como no que recebe o sacramento; a fé do doente e da Igreja salvá-lo-á, pois se refere à morte e ressurreição de Cristo, donde o sacramento tira a sua eficácia (cf. Tg 5, 15),5 e ao reino futuro, de que os sacramentos são o penhor. 



a) A quem se deve administrar a Unção dos Doentes 


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A Epístola de S. Tiago recomenda que se administre a Unção aos doentes para os aliviar e salvar.6 Deve, por isso, com todo o empenho e diligência, aplicar-se aos fiéis gravemente doentes, quer em razão da própria enfermidade, quer em razão da idade avançada.7 

Para julgar da gravidade da doença, basta o prudente ou provável juízo acerca da mesma,8 pedindo, se necessário, sem cair em estado de excessiva ansiedade, o conselho do médico. 


9O sacramento da Unção pode receber-se de novo se o doente convalescer depois de o ter recebido, ou se, no decurso da mesma doença, o seu estado se agravar. 


10Pode também dar-se a Santa Unção antes de uma grave intervenção cirúrgica, quando o motivo é uma doença perigosa. 


11Pode igualmente administrar-se às pessoas idosas cujas forças estejam já muito debilitadas, embora não sofram de doença grave. 


12A Santa Unção dar-se-á também às crianças suficientemente dotadas do uso da razão para poderem ser confortadas por este sacramento. Quando se duvida se elas atingiram o uso da razão, conferir-se-á o sacramento.8 bis 

Na catequese, tanto individual como familiar, instruam-se os fiéis para que eles próprios peçam a Unção e se aproximem em tempo oportuno a recebê-la com plena fé e devoção espiritual, e para que deixem o mau costume de a irem adiando. Esclareçam- -se todas as pessoas que prestam assistência aos doentes sobre a natureza deste sacramento. 


14Aos enfermos que tiverem perdido os sentidos ou o uso da razão, dar-se-á o sacramento, se se julgar que, se estivessem no uso das faculdades, eles teriam pedido, ao menos implicitamente, como crentes, a Santa Unção. 9 


15O sacerdote, chamado para um doente que já tenha falecido, ore por ele ao Senhor, para que lhe perdoe os pecados e o receba misericordiosamente no seu reino, mas não lhe administre a Unção. Quando se duvida se o enfermo já está realmente morto, administre-se-lhe o sacramento segundo o rito abaixo descrito (n. 135).10 

Não se dará a Unção dos Doentes àqueles que perseveram obstinadamente em pecado grave manifesto. 



b) Ministro da Unção dos Doentes 


16O ministro próprio da Unção dos Doentes é apenas o sacerdote.11 

Exercem de modo ordinário o serviço deste ministério os Bispos, os párocos e os vigários paroquiais, os capelães dos hospitais e os superiores das comunidades religiosas clericais.12 


17Pertence a estes ministros dispor, com uma conveniente preparação, os doentes e demais pessoas presentes, auxiliados por religiosos e leigos, e administrar a Unção aos mesmos doentes. 

Cabe ao Bispo diocesano a ordenação das celebrações em que se reúnem vários doentes para receber conjuntamente a Santa Unção. 


18Por motivo razoável, qualquer sacerdote pode administrar este sacramento, com o consentimento, ao menos presumido, do ministro acima referido, no n. 16, a quem informará a seguir da administração realizada. 


19Encontrando-se presentes dois ou mais sacerdotes junto do doente, nada impede que um deles diga as orações e administre a unção com a respectiva fórmula, e distribuam pelos demais as outras partes do rito, tais como os ritos iniciais, a leitura da palavra de Deus, as invocações e admonições. A imposição das mãos pode ser feita por todos os sacerdotes presentes. 


c) Requisitos para a Unção 


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A matéria própria da Unção dos Doentes é o óleo de oliveira, ou, segundo as circunstâncias, outro óleo de origem vegetal. 13 


21Na Unção dos Doentes deve usar-se Óleo benzido para o efeito pelo Bispo ou por um sacerdote com faculdade para o fazer, quer por direito, quer por especial concessão da Sé Apostólica. 

Além do Bispo, podem, por direito, benzer o Óleo a utilizar na Unção dos Doentes: 

a) aqueles que, por direito, são equiparados ao Bispo diocesano; 

b) em caso de necessidade, qualquer presbítero, mas na própria celebração do sacramento.14 

A bênção do Óleo dos doentes é feita ordinariamente pelo Bispo em Quinta-Feira Santa.15 


22Se for benzido dentro do próprio rito da Unção, segundo o n. 21b, o Óleo pode ser trazido pelo próprio sacerdote ou preparado pelos familiares do doente num vaso conveniente. O que sobrar, queime-se com um pedaço de algodão depois da celebração. 

Quando, porém, o sacerdote usar Óleo benzido anteriormente pelo Bispo ou por um sacerdote, leve-o consigo no vaso em que é costume guardá-lo. Este vaso seja de matéria própria para conservar o Óleo, esteja limpo e contenha Óleo suficiente, com algodão, se for conveniente, embebido nele. Neste caso, o sacerdote, depois da Unção, leve-o consigo e guarde-o em lugar digno. Cuide-se, porém, que este Óleo se mantenha apto para o uso dos homens e, por isso, renove-se oportunamente, quer todos os anos, depois da bênção do Óleo feita pelo Bispo em Quinta-Feira Santa, quer, se necessário, com mais frequência. 


23Confere-se a Unção ungindo o doente na fronte e nas mãos. Convém dividir a fórmula de maneira que a primeira parte se diga ao ungir a fronte, e a outra ao fazer a unção das mãos. 

Mas, em caso de necessidade, basta fazer uma única unção na fronte, ou, segundo as circunstâncias do doente, noutra parte mais apta do corpo, proferindo integralmente a fórmula. 


24Nada impede, contudo, que, atendendo à maneira de ser e às tradições dos povos, se aumente o número das unções ou se mude o seu lugar, o que será providenciado nos Rituais particulares. 


25No Rito Latino, a fórmula para a Unção dos doentes será como segue: 

Por esta santa unção e pela sua infinita misericórdia, 

o Senhor venha em teu auxílio 

com a graça do Espírito Santo, 

R. Amen. 

Para que, liberto dos teus pecados, Ele te salve 

e, na sua misericórdia, alivie os teus sofrimentos. 

R. Amen. 


B. Viático 

26Ao passar desta vida, o fiel fortalecido pelo Viático do Corpo e Sangue de Cristo, mune-se do penhor da ressurreição, de acordo com as palavras do Senhor: “Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue, tem a vida eterna e Eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6, 54). 

O Viático, se for possível, receba-se dentro da Missa, a fim de que o doente possa comungar sob as duas espécies, uma vez que a Comunhão recebida como Viático se deve considerar como sinal peculiar da participação no mistério que se celebra no Sacrifício da Missa, ou seja, da morte do Senhor e da sua passagem ao Pai.16 


27Devem receber o Viático todos os fiéis batizados, capazes de receber a sagrada Comunhão. Com efeito, todos os fiéis em perigo de vida, seja qual for a origem desse perigo, são obrigados, por preceito, a receber a sagrada Comunhão. 

Os pastores, porém, devem vigiar para se não adiar a administração deste sacramento e para que os fiéis o recebam em plena consciência.17 


28Além disso, convém que o fiel, ao receber o Viático, renove a profissão de fé do Batismo, pelo qual recebeu a adoção dos filhos de Deus e se tornou herdeiro da promessa da vida eterna. 


29Os ministros ordinários do Viático são o pároco e os vigários paroquiais, os capelães, e ainda, para todos os que se encontram na casa, o superior da comunidade nos institutos religiosos de clérigos ou nas sociedades de vida apostólica. 

Em caso de necessidade ou com licença ao menos presumida do ministro competente, qualquer sacerdote ou diácono dará o Viático; se não houver ministro sagrado, qualquer fiel devidamente deputado. 

O diácono usa o mesmo rito descrito no Ritual (nn. 101-114) para o sacerdote; os restantes, porém, seguem o rito descrito no Ritual da Sagrada Comunhão e Culto do Mistério Eucarístico fora da Missa (nn. 68-78) para o ministro extraordinário. 



C. Rito contínuo 


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Para mais facilmente se atender aos casos particulares, nos quais, por doença repentina ou por outra causa, o doente se encontra imprevistamente em próximo perigo de vida, prevê-se uma celebração contínua para administrar ao doente os sacramentos da Penitência, Unção e Eucaristia a modo de Viático. 

Mas, sobrevindo perigo eminente de morte, se não houver tempo de administrar todos os sacramentos segundo o modo descrito acima, dê-se primeiramente ao doente a oportunidade da reconciliação sacramental, mesmo só com a acusação genérica dos pecados, se for necessário; depois, administre-se-lhe o Viático, que todo o fiel deve receber em perigo de morte; finalmente, dê-se-lhe a Santa Unção, se ainda houver tempo para isso. 

Se, contudo, por causa da doença, o enfermo não puder receber a sagrada Comunhão, dê-se-lhe a Santa Unção. 


31Se o doente houver de receber o sacramento da Confirmação, atenda-se ao que abaixo se indica, nos nn. 117, 124, 136-137. 

Em perigo de morte, goza, por direito, da faculdade de confirmar o pároco e mesmo qualquer presbítero.18 

 
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