CAPA - RITUAL ROMANO - CELEBRAÇÃO DAS BÊNÇÃOS - Liturgia Católica Apostólica Romana

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CAPA - RITUAL ROMANO - CELEBRAÇÃO DAS BÊNÇÃOS

RITUAIS > Bênçãos > PRELIMINARES GERAIS
 
 


R I T U A L R O M A N O

 
 
REFORMADO POR DECRETO DO CONCÍLIO ECUMÉNICO VATICANO II E PROMULGADO POR AUTORIDADE DE S.S. O PAPA JOÃO PAULO II


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
C E L E B R A Ç Ã O D A S

 
B Ê N Ç Ã O S


 
 
 
 
 
 
 
                           
C O N F E R Ê N C I A E P I S C O P A L P O R T U G U E S A
G. C.       G R Á F I C A D E C O I M B R A
 
 
 
 
 
 
PRELIMINARES GERAIS
I. A BÊNÇÃO NA HISTÓRIA DA SALVAÇÃO
1. A fonte e origem de toda a bênção1 é Deus bendito sobre todas as coisas2, que, como único e sumo bem, tudo fez bem feito, para encher de bênçãos as suas criaturas3 e, mesmo depois da queda do homem, continua a derramar essas bênçãos, como sinal da sua misericórdia.

2. Mas quando chegou a plenitude dos tempos, o Pai enviou o seu Filho e por Ele ao assumir a condição humana  de novo abençoou os homens com todas as bênçãos espirituais4. E assim se converteu em bênção a antiga maldição, quando «nasceu o Sol de justiça,5 Cristo nosso Deus, que destruiu a maldição  e nos trouxe a bênção».
3. Cristo, a maior bênção do Pai, apareceu no Evangelho abençoando os irmãos, principalmente os mais humildes6, e elevando ao Pai uma oração de bênção7. Finalmente, tendo sido glorificado pelo Pai e subido ao Céu, derramou sobre os irmãos, remidos com o seu Sangue, o dom do Espírito, para que, movidos pelo seu poder, pudessem louvar e glorificar em todas as coisas a Deus Pai, adorá-l'O e dar-Lhe graças, e, praticando obras de caridade, merecessem ser contados entre os benditos do seu reino8.
4. É pelo Espírito Santo que a bênção de Abraão9 se realiza cada vez mais plenamente em Cristo, na medida em que vai passando aos filhos que são chamados a uma vida nova «na plenitude da bênção»10, para que, convertidos em membros de Cristo, difundam por toda a parte os frutos do mesmo Espírito para salvar o mundo pela bênção divina.
5. O Pai, tendo em sua mente divina a Cristo Salvador, tinha já confirmado a primeira aliança do seu amor para com os homens pela efusão de múltiplas bênçãos. Deste modo, preparava o povo eleito para receber o Redentor e tornava-o cada vez mais digno da aliança. E o povo, seguindo os caminhos da justiça, pôde honrar a Deus com os lábios e o coração, tornando-se sinal e sacramento da bênção divina no mundo.
6. Deus, de quem desce toda a bênção, concedeu naquele tempo aos homens, principalmente aos patriarcas, aos reis, aos sacerdotes, aos levitas, aos pais11, que, louvando e bendizendo o seu nome, em seu nome abençoassem os outros homens e as coisas criadas com bênçãos divinas. Quando é Deus que abençoa, por Si mesmo ou por outros, promete-se sempre o auxílio do Senhor, anuncia-se a sua graça, proclama-se a sua fidelidade à aliança. Quando são os homens que abençoam, louvam a Deus, proclamando a sua bondade e misericórdia. Na verdade, Deus dá a sua bênção comunicando ou anunciando a sua bondade. Os homens bendizem a Deus proclamando os seus louvores, dando-Lhe graças, prestando-Lhe culto de piedade e adoração, e quando abençoam os outros homens, invocam o auxílio de Deus sobre cada um deles ou sobre as assembleias reunidas.
7. Como consta na Sagrada Escritura, todas as coisas que Deus criou e sustenta no mundo com a sua graça providente dão testemunho da bênção de Deus e nos convidam a bendizê-l'O12. Isto alcançou o maior sentido quando o Verbo Encarnado começou a santificar todas as coisas do mundo, graças ao mistério da encarnação.
As bênçãos referem-se primária e principalmente a Deus, cuja grandeza e bondade exaltam; mas, na medida em que comunicam os benefícios de Deus, referem-se também aos homens, que Deus governa e protege com a sua providência; mas também se dirigem às coisas criadas, por cuja abundância e variedade Deus abençoa o homem13.
II.         AS BÊNÇÃOS NA VIDA DA IGREJA
8. Fiel à recomendação do Salvador, a Igreja participa do cálice de bênção14, dando graças a Deus pelo seu dom inefável, adquirido pela primeira vez no Mistério Pascal e em seguida comunicado a nós na Eucaristia. Efectivamente, a Igreja recebe no mistério eucarístico a graça e a virtude pelas quais se torna ela mesma uma bênção no mundo: como sacramento universal de salvação15, exerce sempre entre os homens e em favor dos homens a obra da santificação e simultaneamente, unida a Cristo sua cabeça, glorifica o Pai no Espírito Santo.

9. A Igreja, pelo poder do Espírito Santo, exprime de diversos modos este seu ministério e por isso instituiu diversas formas de bênção; com elas convida os homens a louvar a Deus, anima-os a pedir a sua protecção, exorta-os a torna- rem-se dignos da sua misericórdia pela santidade de vida, utiliza fórmulas de oração para implorar os seus benefícios, a fim de alcançar bom êxito naquilo que suplica. A isto se destinam as bênçãos instituídas pela Igreja, sinais sensíveis que «significam e realizam, cada um a seu modo, a santificação dos homens em Cristo»16 e a glorificação de Deus, que é o fim para o qual se orientam todas as outras acções da Igreja17.

10. As bênçãos, como sinais que se fundamentam na palavra de Deus e se celebram à luz da fé, pretendem ilustrar e devem manifestar a vida nova em Cristo, que tem a sua origem e crescimento nos sacramentos da nova aliança instituídos pelo Senhor. Além disso, as bênçãos, que foram instituídas imitando de certo modo os sacramentos, significam sempre efeitos principalmente espiri- tuais, que se alcançam graças à súplica da Igreja18.

11. Com esta convicção, a Igreja manifesta sempre a sua solicitude para que a celebração da bênção se oriente verdadeiramente para o louvor e glorificação de Deus e se ordene ao proveito espiritual do seu povo.
Para que isto apareça com mais clareza, as fórmulas de bênção, segundo a antiga tradição, têm como objectivo principal glorificar a Deus pelos seus dons, implorar os seus benefícios e afastar do mundo o poder do Maligno.

12. Glorificando a Deus em todas as coisas e procurando principalmente a manifestação da glória de Deus aos homens   tanto os já renascidos como os que vão renascer pela graça  a Igreja, celebrando as bênçãos, louva o Senhor por eles e com eles nas diversas circunstâncias da vida e invoca para eles a  sua graça. Por vezes a Igreja abençoa também as coisas relacionadas com a atividade humana ou com a vida litúrgica e também com a piedade e o culto, mas tendo sempre em conta os homens que utilizam essas coisas e actuam nesses lugares. Na verdade, o homem, em cujo favor Deus quis todas as coisas boas, é o receptáculo da sua sabedoria, e por isso, com a celebração da bênção, o homem pretende manifestar que utiliza de tal modo as coisas criadas que, com o seu uso, busca a Deus, ama a Deus e serve fielmente o único Deus.

13. Os cristãos, guiados pela fé, fortalecidos pela esperança e movidos pela caridade, não são capazes de reconhecer sabiamente os vestígios da bondade divina em todas as coisas criadas, mas também buscam implicitamente o reino de Cristo nas obras da actividade humana e, além disso, consideram todos os acontecimentos do mundo como sinais da providência paterna com que Deus dirige e orienta todas as coisas.
Por isso, sempre e em toda a parte se nos apresenta ocasião para louvar, invocar e dar graças a Deus por Cristo no Espírito Santo, contanto que se trate de coisas, lugares e circunstâncias que não estejam em contradição com as normas e o espírito do Evangelho. Portanto, cada celebração de bênção deve submeter-se sempre ao critério pastoral, sobretudo se pode provocar estranheza entre os fiéis ou outras pessoas.

14. Este modo pastoral de considerar as bênçãos está em sintonia com as palavras do Concílio Ecuménico Vaticano II: «A liturgia dos sacramentos e dos sacramentais faz com que, para os fiéis que os celebram nas devidas disposições, quase todos os actos da vida sejam santificados pela graça divina que emana do Mistério Pascal da paixão, morte e ressurreição de Cristo, do qual todos os sacramentos e sacramentais recebem o seu poder, e faz também com que o uso honesto de quase todas as coisas materiais possa ordenar-se à santificação do homem e ao louvor de Deus»19.
Assim, com as celebrações das bênçãos, os homens dispõem-se para receber o fruto superior dos sacramentos e são santificadas as diversas circunstâncias da vida.

15. «Para conseguir esta plena eficácia, é necessário que os fiéis participem na sagrada liturgia com recta disposição de espírito»20. Por isso, aqueles que pedem a bênção de Deus por meio da Igreja devem fortalecer a sua disposição de espírito naquela para a qual nada é impossível21; apoiem-se na esperança, que não ilude22; e sobretudo sejam vivificados na caridade, que impele a observar os mandamentos de Deus23. Assim, os homens que buscam o beneplácito divino24 compreenderão plenamente e alcançarão de facto a bênção do Senhor.

III. OFÍCIOS E MINISTÉRIOS
16. As bênçãos são acções litúrgicas da Igreja e, por isso, a celebração comu- nitária, que por vezes se requer, corresponde melhor à índole da prece litúrgica, e assim, enquanto a verdade é exposta aos fiéis por meio da oração da Igreja, os que estão presentes são induzidos a unirem-se com o coração e com os lábios à voz da Mãe.
Para as bênçãos mais importantes, que dizem respeito à Igreja local, é conveniente que se reúna a comunidade diocesana ou paroquial, presidida pelo Bispo ou pelo Pároco.
Mas também nas outras bênçãos é recomendada a presença dos fiéis: de facto, o que se realiza para um grupo determinado, de algum modo redunda em vantagem para toda a comunidade.

17. Quando não está presente nenhum grupo de fiéis, tanto aquele que quer bendizer a Deus ou pedir a bênção divina como o ministro que preside à celeb- ração devem recordar-se de que representam a Igreja celebrante, de tal modo que, por meio da sua oração comum e da sua petição, a bênção desce «pelo homem, mas não do homem»25, como «comunicação votiva de santificação e de graças»26.
Normalmente, a celebração da bênção de coisas ou de lugares não deve fazer-se sem a participação de pelo menos algum fiel.

18.    O ministério da bênção constitui um peculiar exercício do sacerdócio de Cristo e, segundo o lugar e o ofício de cada um no povo de Deus, exerce-se do modo seguinte:
a) Compete ao Bispo principalmente presidir às celebrações que dizem respeito a toda a comunidade diocesana e se fazem com especial solenidade e grande afluência de povo; por isso, pode reservar a si algumas celebrações27, principalmente quando se realizam de forma mais solene.
b) Compete aos Presbíteros, como requer a natureza do seu serviço no povo de Deus, presidir às bênçãos, principalmente àquelas que se referem à comunidade a cujo serviço estão destinadas; por isso, podem celebrar todas as bênçãos contidas neste livro, a não ser que esteja presente algum Bispo que a elas presida.
c) Compete aos Diáconos, como auxiliares do Bispo e do seu presbitério na qualidade de ministros da palavra, do altar e da caridade, presidir a algumas celebrações, como se indica no lugar correspondente.
Mas quando está presente um sacerdote, é melhor atribuir-lhe a presidência e que o diácono o auxilie na acção litúrgica exercendo as suas funções próprias.
d) Aos Acólitos e Leitores, que, pela instituição que lhes é conferida, desempenham uma função peculiar na Igreja, com razão se lhes concede, de preferência aos outros leigos, a faculdade de dar algumas bênçãos, a juízo do Ordinário do lugar.

Também os outros Leigos, homens e mulheres, em virtude do sacerdócio
comum de que foram dotados no Baptismo e na Confirmação   ou pelo próprio
cargo (como os pais em relação aos filhos), ou porque exercem um ministério extraordinário ou outras funções peculiares na Igreja, como os religiosos    ou os catequistas em alguns lugares     a juízo do Ordinário do lugar28, quando é
reconhecida a sua devida formação pastoral e a sua prudência no exercício do próprio cargo, podem celebrar algumas bênçãos, com os ritos e fórmulas para eles previstos, como se indica em cada uma das bênçãos.
Mas quando está presente um sacerdote ou um diácono, deve  ceder-se-
-lhes a presidência.
19.   A participação dos fiéis será tanto mais activa quanto mais profunda for a instrução que se lhes sobre a importância das bênçãos. Por isso os presbíteros e os ministros, nas próprias celebrações, assim como na pregação e na catequese devem explicar aos fiéis o significado e a eficácia das bênçãos.
É especialmente importante que o povo de Deus seja instruído acerca   do verdadeiro significado dos ritos e preces que a Igreja utiliza nas bênçãos, para que na celebração sagrada não se introduza nenhum elemento de índole supersticiosa ou vã credulidade que prejudique a pureza da fé.
IV.    A CELEBRAÇÃO DA BÊNÇÃO
Estrutura típica
20.   A celebração típica da bênção consta de duas partes: a primeira é a proclamação da palavra de Deus, a segunda é o louvor da bondade divina e a petição do auxílio celeste.
Normalmente a celebração começa e conclui com alguns ritos breves.
21.   A primeira parte tem o objectivo de fazer com que a celebração seja verdadeiramente um sinal sagrado, que toma o seu pleno sentido e eficácia da proclamação da palavra de Deus29.
Portanto, o centro desta primeira parte é a proclamação da palavra de Deus, à qual se referem tanto a admonição introdutória como a breve explicação ou exortação ou homilia que, conforme as circunstâncias, se podem acrescentar.
Para estimular a dos participantes, pode intercalar-se um salmo ou um cân- tico ou um tempo de silêncio sagrado, sobretudo se se fazem várias leituras.
22.   Asegunda parte tem por objectivo, mediante ritos e preces, louvar a Deus e obter o seu auxílio por Cristo no Espírito Santo. O centro desta parte é constituído pela fórmula de bênção, ou oração da Igreja, acompanhada geralmente de um sinal ou gesto peculiar.
Para fomentar a oração dos presentes, pode acrescentar-se a oração comum, que normalmente precede a oração de bênção, mas por vezes diz-se depois dela.
23.    Nas celebrações propostas, os elementos principais, isto é, a proclamação da palavra de Deus e a oração da Igreja, que nunca podem ser omitidos, mesmo nas celebrações mais breves, devem distinguir-se cuidadosamente dos outros elementos, ao ordenar a celebração.
24.   Além disso, ao ordenar a celebração, deve ter-se em conta sobretudo o seguinte:
a)                   geralmente deve preferir-se a forma comunitária30, de tal modo que exerçam nela as suas funções próprias o diácono, o leitor, o salmista e o coro;
b)                  atenda-se à norma fundamental sobre a consciente, activa e apropriada participação dos fiéis31;
c)                   tenham-se em conta oportunamente as circunstâncias do momento e das pessoas presentes32, observando os princípios que inspiram a reforma destes ritos e as normas dadas pela autoridade competente.
Os sinais a utilizar
25.    Os sinais visíveis que frequentemente acompanham as orações têm a finalidade principal de evocar as acções salvíficas do Senhor, mostrar uma certa relação com os principais sacramentos da Igreja e, deste modo, alimentar a fé das pessoas presentes e despertar a sua atenção para que participem na celebração33.
26.    Os sinais que mais frequentemente se utilizam são os seguintes: braços abertos, braços erguidos, mãos juntas, imposição das mãos, o sinal da cruz, a aspersão com água benta e a incensação.
a)                  Dado que a fórmula de bênção é antes de mais «oração», o ministro, conforme se indica em cada uma das celebrações, recita-a de braços abertos, ou erguidos, ou estendidos sobre as pessoas, ou de mãos juntas.
b)                  Entre os sinais de bênção tem lugar destacado a imposição das mãos, como costumava fazer o próprio Cristo, que, referindo-Se aos discípulos, disse:
«Imporão as mãos sobre os doentes e serão curados» (Mc 16, 18). Este sinal continua a realizar-se na Igreja e pela Igreja.
c)                  Com frequência, segundo a antiga tradição da Igreja, propõe-se o sinal da cruz.
d)                   Em algumas celebrações da bênção propõe-se a aspersão com água benta. Nesse caso, os ministros devem exortar os fiéis para que recordem o Mistério Pascal e renovem a fé do seu Baptismo.
e)                  Em algumas celebrações da bênção utiliza-se a incensação, que é um sinal de veneração e honra e simboliza por vezes a oração da Igreja.
27.    Embora os sinais utilizados nas bênçãos, sobretudo o sinal da cruz, exprimam uma certa evangelização e comunicação da fé, para tornar mais activa a participação e evitar o perigo de superstição, normalmente não é permitido abençoar coisas e lugares só com um sinal externo, sem nenhum recurso à palavra de Deus ou a alguma prece.
Modo de articular a celebração da bênção com outras celebrações ou com outras bênçãos
28.   Algumas bênçãos têm uma relação especial com os sacramentos e, por isso, podem por vezes unir-se à celebração da Missa.
No Ritual das Bênçãos indica-se quais são estas bênçãos e com que  parte ou rito devem unir-se; e para cada caso dão-se normas rituais que não é licito negligenciar. Outras bênçãos, porém, de nenhum modo podem unir-se à celebração da Missa.
29.   Algumas bênçãos podem unir-se a outras celebrações, como se indica em cada rito correspondente.
30.    Por vezes pode ser oportuno efectuar várias bênçãos numa única celebração. Ao ordenar a celebração, tenha-se em conta o seguinte: utiliza-se o rito que se refere à bênção principal, acrescentando na admonição e nas preces as palavras e sinais que manifestam a intenção de realizar também as outras bênçãos.
Função do ministro
na preparação e ordenamento da celebração
31.    O ministro deve lembrar-se que as bênçãos se dirigem primariamente aos fiéis, mas podem também celebrar-se para os catecúmenos e, tendo em conta as normas do cânone 1170, também para os não católicos, a não ser que obste alguma proibição da Igreja.
Nas bênçãos a celebrar comunitariamente com os irmãos separados, devem observar-se em cada caso as normas dadas pelo Ordinário do lugar.
32.    O celebrante ou ministro, ponderando todas as circunstâncias e tendo escutado também as sugestões dos fiéis, usará as faculdades concedidas nos diversos ritos de bênção, observando contudo a sua estrutura e sem alterar de modo algum a ordem das suas partes principais.
33.    Na celebração comunitária, procure-se que todos, ministros e fiéis, ao exercerem as funções próprias de cada um, realizem com decoro, ordem e piedade tudo o que lhes corresponde.
34.   Atenda-se também à indole peculiar do tempo litúrgico, de modo que   as admonições e as preces dos fiéis exprimam a relação com o ciclo anual do mistério de Cristo.
As vestes litúrgicas
35.    O Bispo, quando preside às celebrações mais importantes, usa as vestes que são indicadas no Cerimonial dos Bispos.
36.    O presbítero e o diácono, quando presidem às bênçãos de forma comuni- tária, sobretudo se são celebradas na igreja ou com alguma solenidade externa, usam alva e estola. A alva pode ser substituída pela sobrepeliz, quando se usa hábito talar. Nas celebrações mais solenes, pode usar-se o pluvial.
37.        Os paramentos são branco ou da cor que estiver mais em consonância com o tempo ou festa litúrgica.
38.    Os ministros devidamente instituídos, quando presidem às celebrações da comunidade, usam as vestes prescritas pela Conferência Episcopal ou pelo Ordinário do lugar para as celebrações litúrgicas.
V.         ADAPTAÇÕES QUE COMPETEM ÀS CONFERÊNCIAS EPISCOPAIS
39.    Compete às Conferências Episcopais, em virtude da Constituição sobre a Sagrada Liturgia34, elaborar o Ritual particular correspondente a este título do Ritual Romano, adaptando-o contudo às necessidades de cada região, de tal modo que, quando os textos estiverem aprovados pela Apostólica35, possam entrar em uso nas regiões a que se referem.
Nesta matéria, compete à Conferência Episcopal:
a)                  Determinar as adaptações, segundo os princípios estabelecidos neste livro, conservando porém a estrutura própria dos ritos ou formulários.
b)                  Considerar com prudência e cuidado o que pode ser oportunamente admitido das tradições e índole de cada povo e, consequentemente, propôr outras adaptações que pareçam úteis ou necessárias36.
c)                   Conservar as bênçãos próprias porventura já existentes nos Rituais particulares ou as do antigo Ritual Romano, se ainda está em uso, contanto que sigam a mentalidade da Constituição sobre a Sagrada Liturgia, com os princípios expostos no presente título e com as necessidades do tempo actual; ou adaptá-las.
d)                   Nos vários ritos de bênção, sobretudo quando se apresentam várias fórmulas à escolha, acrescentar outras do mesmo género, além daquelas que se encontram no Ritual Romano.
e)                  Traduzir integralmente os preliminares que estão contidos neste livro, tanto os gerais como os particulares de cada rito de bênção, mas também, se  o caso o exigir, completá-los, de modo que os ministros compreendam mais plenamente o significado das celebrações e a participação dos fiéis se torne mais consciente e activa.
f)                 Completar o que faz falta em algumas partes deste livro, p. ex., apresentar outras leituras que possam ser úteis; indicar os cânticos mais apropriados.
g)                 Preparar as traduções dos textos, de maneira que se acomodem à índole das diversas línguas e das diversas culturas.
h)                 Nas edições do livro, ordenar o material do modo que parecer mais apto para o uso pastoral; editar separadamente as diversas partes do livro, fazendo-as preceder sempre das principais introduções.
1 Cf. Missale Romanum, reformado por decreto do Conc.Vat.II e promulgado por autoridade do Papa Paulo VI, ed. tip. segunda, Roma 1975: Bênçãos no fim da Missa, Bênçãos solenes, n.3, no primeiro dia do ano.
2   Cf. Rom 9, 5.
3   Cf. Missale Romanum, Oração Eucarística IV, n. 117.
4   Cf. Gal 4, 4; Ef 1, 3.
5 Cf. Ofício Divino, reformado por decreto do Conc. Vat. II e promulgado por autoridade do Papa Paulo VI, Liturgia das Horas, segundo o rito romano, vol IV: Natividade da Virgem Santa Maria, 8 de Setembro, antífona do Benedictus.
6   Cf. Actos 3, 26; Mc 10, 16; 6, 41; Lc 24, 50 etc.
7   Cf. Mt 9, 31; 14, 19; 26, 26; Mc 6, 41; 8, 7.9; 14, 22; Lc 9, 16; 24, 30; Jo 6, 11.
8 Cf. Missale Romanum, Comum dos Santos e Santas, 9: Missa dos Santos que se dedicaram às obras de misericórdia, Or. colecta.
9  Cf. Gen 12, 3.
10 S. BASÍLIO, De Spiritu Sancto, cap. 15, 36: PG 32, 131. Cf. S. AMBRÓSIO, De Spiritu Sancto
I, 7, 89: CSEL 79, 53.
11 Cf. Gen 14, 19-20 - Hebr 7, 1; Gen 27, 27-29; 38, 40 - Hebr 11, 20; Gen 49, 1-28 - Hebr 11, 21;
Deut 21, 5; Deut 33; Jos 14, 13; 22, 6; 2 Cron 30, 27; Lev 9, 22-23; Ne 8, 6; Sir 3, 9-11.
12  Cf. p.ex., Dan 3, 57-88; Salmos 65(66), 8; 102(103); 134(135); 1 Tim 4, 4-5.
13  Cf. Gen 27, 27; Ex 23, 25; Deut 7, 13; 28, 12; Job 1, 10; Salmo 64(65), 11; Jer 31, 23.
14  Cf. 1 Cor 10, 16.
15  Cf. Conc Vat. II, Const. sobre a Igreja, Lumen gentium, n. 48.
16  Conc. Vat. II, Const. sobre a S. Liturgia, Sacrosanctum Concilium, n. 7.
17  Ibidem, nn. 7 e 10.
18  Cf. Ibidem, n. 60.
19  Conc. Vat. II, Const. sobre a S. Liturgia, Sacrosanctum Concilium, n. 61.
20  Ibidem, n. 11.
21  Cf. Mc 9, 23.
22  Cf. Rom 5, 5.
23  Cf. Jo 14, 21.
24  Cf. Rom 12, 2; Ef 5, 17; Mt 12, 50; Mc 3, 35.
25  Cf. S. CESÁRIO DE ARLES, Sermo 77, 5: CCL 103, 321.
26 S. AMBRÓSIO, De benedictionibus patriarcharum 2, 7: PL 14, 709; CSEL De Patriarchis
32, 2, 18.
27  Cf. Conc. Vat. II, Const. sobre a S. Liturgia, Sacrosanctum Concilium, n. 79.
30  Cf. Conc. Vat. II, Const. sobre a S. Liturgia, Sacrosanctum Concilium, n. 27.
31  Ibidem, n. 79.
32  Ibidem, n. 38.
33  Ibidem, n. 59-60.
34  Cf. Con. Vat. II, Const. sobre a S. Liturgia, Sacrosanctum Concilium, n. 63, b.
35  Cf. CIC. can. 838, §§ 2 e 3: cf.CIC, can. 1167 § 1.
28  Cf. Conc. Vat. II, Const. sobre a S. Liturgia, Sacrosanctum   Concilium, n. 79.
29  Cf. Missale Romanum, Ordo Lectionum Missae, ed. tip. segunda, Roma 1981, Praenotanda, nn. 3-9.
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